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ESPECIALISTAS AFIRMAM QUE NÃO EXISTEM ESTUDOS CONCLUSIVOS SOBRE IMUNIDADE APÓS PRIMEIRA INFECÇÃO PELO CORONAVÍRUS

ESPECIALISTAS AFIRMAM QUE NÃO EXISTEM ESTUDOS CONCLUSIVOS SOBRE IMUNIDADE APÓS PRIMEIRA INFECÇÃO PELO CORONAVÍRUS
Patrick Savaris
Por: Patrick Savaris
Dia 22/04/2020 00h30

Retorno do teste positivo em alguns pacientes que tinham se recuperado dos sintomas reacendeu debate sobre possibilidade de reinfecção.

O rápido avanço do coronavírus em um pequeno espaço de tempo ainda deixa algumas lacunas abertas sobre o comportamento do novo vírus, que já matou 174 mil pessoas no mundo até esta terça-feira (21). Uma das principais dúvidas sobre a doença ocorre em relação à imunidade. Especialistas ouvidos apontam que ainda não existem estudos conclusivos sobre a possibilidade de pessoas serem reinfectadas pelo vírus após uma primeira infecção.

O assunto voltou aos holofotes nas última semanas após a Coreia do Sul informar que pacientes que supostamente tinham eliminado o coronavírus voltaram a apresentar a presença do vírus em novos exames. Segundo o governo coreano, ainda não estava claro se eram casos de reinfecção ou reativação. 

Presidente da Sociedade Brasileira de Virologia (SBV) e professor do mestrado em Virologia da Feevale, Fernando Spilki afirma que ainda não existe nenhum estudo conclusivo sobre a imunidade à doença. Spilki destaca que o método mais confiável para atestar que determinado indivíduo não está sujeito à reinfecção é chamado de “ensaio de vírus-neutralização”. Esse sistema coloca o vírus ativo na presença dos anticorpos do pacientes. No entanto, segundo o virologista, testes nesse sentido em relação ao coronavírus realizados na China apresentaram cenários variados: 


— Uma parte pequena dos indivíduos desenvolve anticorpos protetores, uma grande parte não desenvolve anticorpos em tipos satisfatórios após uma primeira infecção e em uma parcela não foi detectado anticorpos. Então, infelizmente ainda não dá para ter certeza de que a primeira infecção leva à imunidade.


A professora de Infectologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) Danise Senna Oliveira afirma que também pode existir uma confusão em relação aos pacientes que venceram os sintomas da doença. Em alguns poucos casos, as pessoas não apresentam mais as complicações da covid-19, mas ainda continuam com detecção intermitente do vírus no organismo, segundo a médica infectologista. Nessas situações, não é considerada uma reinfecção, mas, sim, a detecção do vírus novamente, geralmente assintomático (sem sintomas) ou oligossintomático (com poucos sintomas). 


— Ele tem sintomas, com PCR positivo, se cura, testa negativo e volta a positivar com ou sem sintomas — explica Danise. 


Sobre a dificuldade de encontrar conclusões sobre a imunidade em relação ao novo coronavírus, a professora da UFPel destaca que a covid-19 está assolando humanos há apenas cinco meses e que é necessário mais tempo para entender com mais detalhes como o vírus se comporta. 


— Com outros coronavírus responsáveis por síndromes respiratórias, como por exemplo sars ou mers, viu-se que reinfecções ocorreram em geral dois anos após a primeira infecção e os sintomas nessa segunda ocasião eram mais leves. Acredita-se que pode ocorrer o mesmo com o sars-cov-2, mas precisa-se de tempo para confirmar isso — pontua a infectologista.
Imunidade coletiva


Umas da alternativas ventiladas para combater a covid-19 ocorria no sentido de deixar o vírus circular mais entre a população, aumentando a chamada imunidade coletiva. O presidente da SBV destaca que as evidências dos estudos na China sobre a possibilidade de reinfecção, que ainda precisam ser comprovados, e o desfecho negativo da infecção em alguns casos de pacientes que não são da população de risco não criam ambiente para essa hipótese neste momento.


— Seguramente, com todo o processo de distanciamento social e com as postergação e a minimização do tamanho da faixa de infecção, ao longo do tempo, as pessoas vão se infectando aos poucos. E a gente pode chegar daqui a algum bom tempo a ter um contingente populacional que tenha adquirido mais de uma infecção pelo vírus, inclusive sem sintomas muitas vezes — explica Spilki.

Gaúcha ZH

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