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DISTÂNCIAS QUE NOS PROTEGEM

Se ouve muitas vezes mães falarem assim: onde foi que eu errei? A minha filha é tão simpática com as amigas, tão delicada com o namorado, mas comigo está sempre nervosa, parece descarregar em mim todas suas frustações, todas as suas mágoas. Ela chega do trabalho muitas vezes nervosa, eu simplesmente pergunto como foi o seu dia e ela me responde de forma rude. Onde foi que eu errei?

Essas histórias ouvimos com frequência. Provavelmente dá pra dizer: você não é ruim. Há um processo chamado deslocamento, no qual procuramos transferir a agressão recebida para um local ou uma pessoa aonde nos sentimos mais seguros. Então a sua filha, que foi humilhada pelo chefe e tudo que não conseguiu e não pode dizer para ele, acaba descarregando na família, o lugar onde depositamos muitas de nossas angústias. Não estou falando que isso é maravilhoso, que é justo ou que é bom. Estou apenas dizendo que aquela filha sabe que no fundo se explodir com você não sofrera grandes consequências, como se tivesse se explodido com o chefe na empresa. Essa atitude pode até deixar você triste, mas ela sabe que pode contar com o seu perdão sem sofrer represálias. Também nós não estamos dizendo que você, mãe, deva aceitar ser tripudiada, feita de gato e sapato, como se diz no provérbio popular. Estou apenas mostrando uma possibilidade para que você não se culpe pelas atitudes da sua filha como se tivesse feito algo errado. Nós sempre erramos, mas talvez nesse caso, com a sua filha, você não errou.

Aprenda a se distanciar um pouco dos acontecimentos para pensar melhor. Assim perceberá que as pessoas em sua volta têm os seus problemas. Às vezes descontam a raiva, a mágoa, as frustações em quem estiver por perto. Mas não entre nesse jogo. Aprenda a separar as coisas. Determinados problemas não são seus e, estrategicamente falando, não deixe que se tornem seus. Tenha uma boa compreensão dos fatos e tome certa distância para se proteger. Compreender a realidade, compreender por que as coisas são assim, porque está acontecendo isso com a minha filha, com meu filho, com meu pai, com a minha mãe, é muito importante. Assim, compreendendo a realidade, você vai viver melhor.

 

Padre Ezequiel Dal Pozzo