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Detran quer ouvir donos de 322 veículos cujos dados foram adulterados em fraude

Objetivo é descobrir se mais pessoas participaram do esquema criminoso desarticulado nesta terça-feira

O Departamento Estadual de Trânsito (Detran) vai chamar os proprietários dos 322 veículos que tiveram dados cadastrais adulterados em fraude investigada pela Polícia Civil. O objetivo é apurar a eventual participação de mais pessoas no esquema criminoso que foi desarticulado nesta terça-feira (15) pela Operação Transitório.

Conforme a chefe da corregedoria do Detran, Fernanda Castoldi, quando detectou irregularidades, em maio do ano passado, o órgão fez a verificação de cada caso e colocou restrições nos veículos para que não fossem negociados. Mas não foi feita apuração aprofundada, chamando os proprietários, justamente para não interferir no trabalho da Delegacia de Polícia de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública e Ordem Tributária (Deat).

Sobre o uso da senha de um servidor público para efetivar a fraude, Fernanda informou que uma sindicância interna descartou a participação do funcionário na fraude. A suspeita é de que a senha dele tenha sido copiada durante trabalho externo, junto aos Centros de Registro de Veículos Automotores (CRVA).

— Este servidor viajava para fazer supervisão em credenciados. E nestes locais ele acessava computadores com a senha. Acreditamos que um programa espião possa ter sido usado. Um dos locais que ele visitou foi justamente aquele onde um dos investigados trabalhava — explicou Fernanda.

Três presos em operação

As irregularidades começaram a ser detectadas quando um servidor da Divisão de Veículos desconfiou de uma alteração no registro de um carro. Ele verificou outras correções feitas no sistema e descobriu que nenhum servidor da divisão as havia feito. Ele então levou o caso à corregedoria.

 Uma apuração interna constatou correções irregulares em cadastros de 322 carros. A corregedoria analisou caso a caso e percebeu as repetições: uma mesma pessoa recebia documentos de vários carros em um mesmo endereço, por exemplo. Ou transferências eram feitas sem pagamentos de taxas.

— Eram situações que nem os CRVAs conseguem mexer. Apenas servidores do Detran têm autorização para aquele tipo de correção de informação. Era algo muito atípico, feito por pessoa com conhecimento — diz Fernanda.

Com essa listagem pronta, o Detran procurou a Polícia Civil, que nesta terça-feira cumpriu 18 mandados de busca e apreensão e prendeu três pessoas. Conforme a chefe da corregedoria, foi feito um pente-fino para excluir a possibilidade de outras senhas estarem sendo usadas para fraudes. Além disso, agora, quando saem para supervisão em credenciados, os servidores do Detran levam computadores próprios, o que evita a inserção de senhas em máquinas externas.

A corregedora disse que agora será necessário verificar cada caso com os donos do carros envolvidos, até para saber se tiveram benefícios com a fraude. Ela também alertou que, em muitos casos, a burla de pagamentos de IPVA ou transferências poderia vir a ser descoberta quando o veículo precisasse passar por nova etapa de atualização de documentos.

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