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No mundo, a cada 40 segundos, uma pessoa comete suicídio

Dados internacionais fornecidos pela OMS levantam o alerta sobre o assunto

 

10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, e a campanha nacional Setembro Amarelo tem por objetivo mobilizar a sociedade e ampliar a discussão sobre este tema por vezes estigmatizado. 

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) e Organização Pan-Americana de Saúde, a cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio –  causando sério impacto em pelo menos outras seis pessoas. Ou seja, durante esta leitura, mais de uma pessoa terá cometido suicídio!

“Por mais difícil que o assunto seja, não podemos nos eximir da responsabilidade de falar sobre ele. Todos temos um conhecido, amigo ou familiar que não conseguiu resistir ao sofrimento e agiu impulsivamente acabando com a própria vida. Problemas cotidianos, dificuldades financeiras, carências afetivas, doenças e dores crônicas, estão entre as principais causas deste ato”, frisa a professora do Curso de Psicologia da IMED Passo Fundo, Me. Vanessa Domingues Ilha, que também é integrante do Núcleo de Apoio a Vida de Passo Fundo – NAVIPAF, mantenedora responsável pela implantação do posto do Centro de Valorização da Vida – CVV no município.

O suicídio é um fenômeno mundial, considerado problema de saúde pública, complexo, multifatorial e que na maioria dos casos podem ser prevenidos. O comportamento resulta de uma complexa interação de fatores de risco como os individuais, genéticos e biológicos, fatores relacionais, além de fatores relacionados a sociedade/comunidade.

 

Dados que impressionam

No Brasil, o índice de suicídio no ano de 2015 foi de 5,7 pessoas para cada 100 mil habitantes. Em 2017, cerca de 11.700 pessoas tiram a própria vida, segundo dados levantados pelo Sistema de Informação sobre Mortalidade – SIM.

Dentre as tentativas de suicídio, o maior índice está entre as mulheres (69%), contudo os homens morrem mais por suicídio (79%), uma vez que a taxa de mortalidade por 100 mil habitantes entre eles é 3,6 vezes maior.

A prevalência de morte por suicídio entre os idosos com 70 anos ou mais, é extremamente preocupante (8,9 para cada 100 mil habitantes), da mesma forma a população indígena tem índices alarmantes (23,1 indígenas do sexo masculino e 7,7 indígenas do sexo feminino/ 44,8% acontecem na faixa dos 10 aos 19 anos = puberdade e adolescência).

No que se refere a situação conjugal, pessoas solteiras, viúvas e divorciadas cometem mais suicídio (60,4%). O enforcamento é o meio mais utilizados pelas pessoas em sofrimento para acabar com a própria vida (homens 66,1%, mulheres 47%), seguido de intoxicação endógena e arma de fogo. O Rio Grande do Sul é o estado com a maior taxa de suicídio por 100 mil habitantes.

“Mas tudo isso pode ser atenuado se a pessoa souber que existem fatores de proteção: os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) serviços que pertencem às Secretarias Municipais de Saúde, podem auxiliar e reduzem em 14% o risco de suicídio. O Governo Federal por meio do Ministério da Saúde reforçou as ações de prevenção ao suicídio ampliando o Acordo de Cooperação Técnica com o Centro de Valorização da Vida (CVV), produzindo materiais para profissionais da saúde, jornalistas e população em geral e promovendo discussões permanentes envolvendo órgãos de saúde”, destaca Vanessa.

 

Como identificar os comportamentos

A população de forma geral também pode auxiliar quem está passando por esse tipo de situação e sofrimento, se todos estiverem atentos aos sinais. “Desesperança, falta de concentração, alteração de humor extrema, muita raiva e sentimento de vingança e altos níveis de ansiedade. Também é comum forte sentimento de culpa ou vergonha (acham que são um incômodo na vida dos outros), solidão e isolamento (mesmo na presença de outras pessoas). Sinais como esses podem surgir em verbalizações como: “- A vida não vale a pena.” – “Nada mais importa.”  – “Não consigo mais lidar com tudo isso.” – “Não vou te atrapalhar por muito tempo.” – “Sinto como se não houvesse saída.”, comenta a docente.

 

Vanessa ainda comenta que o uso excessivo de drogas e álcool, comportamentos imprudentes como sexo sem proteção e dirigir sob efeito de substâncias ou em alta velocidade, também são sinais de alerta, e precisam ser verificados.

 

A integrante do NAVIPAF finaliza destacando que dar atenção e falar sobre o assunto é a melhor solução para esse problema que vem vitimando cada vez mais pessoas no mundo todo. “Conversar com seu familiar, acompanhá-lo ao atendimento de emergência e não deixá-lo sozinho são atitudes imprescindíveis para a manutenção sua da vida”, ressalta.

 

Para você que se identificou com alguns dos sinais citados nesta matéria, acredite, tem alguém que pode ajudar. O Centro de Valorização da Vida possui um serviço nacional que pode ser acessado de qualquer lugar do país: basta ligar no 188. Esse é o primeiro número sem custo de ligação para prevenção do suicídio, que pode ser feito de qualquer telefone fixo ou móvel, onde alguém estará pronto a ouvir.