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Tuberculose bovina: um risco para a saúde pública

Coordenador do Curso de Medicina Veterinária da IMED, Dr. Deniz Anziliero fala sobre causas, características e prevenção para a doença

 

A tuberculose é uma doença que afeta mamíferos e aves e constitui um sério problema de saúde tanto humana como animal. O agente causador da doença foi descoberto no final século XIX, desde então o quadro da tuberculose humana e bovina tem-se agravado, particularmente nos países subdesenvolvidos. A susceptibilidade do homem ao Mycobacterium bovis é uma das principais razões para a importância dessa zoonose de origem bovina. A enfermidade é caracterizada pela formação de lesões do tipo granulomatoso, de aspecto nodular, denominada de “tubérculo” cujo hospedeiro primário é o bovino. Diversas espécies, entre elas a humana, são susceptíveis. Esta importante zoonose é uma doença infectocontagiosa de caráter crônico, caracterizada por granulomas específicos, denominados tubérculos, geralmente detectados pelo sistema de inspeção nos frigoríficos.

Dr. Deniz Anziliero

A tuberculose bovina ocasiona grandes prejuízos à economia de um país pois, afetando o gado, cria dificuldades para a melhoria do padrão de vida principalmente dos pequenos produtores que se ocupam da exploração pecuária, diminuindo o rendimento de carne e leite dos rebanhos. Além disso, representa uma ameaça importante para a saúde humana, atingida pelos hábitos alimentares da população, principalmente a ingestão de leite cru ou não fervido e queijo, além do contágio por inalação ou contato com o animal infectado. Além do mais, o comercio clandestino de carnes proveniente do abigeato, bem como o consumo destes produtos de estabelecimentos com origem duvidosa, coloca em risco a saúde da população também para a transmissão da tuberculose.

Desde 2001, o Brasil passou a contar com um programa oficial de controle da tuberculose (Programa Nacional para o Controle e Erradicação da brucelose e tuberculose – PNCEBT). Estudos realizados em 12 estados da federação, responsáveis por 70% do rebanho brasileiros, demonstram uma prevalência variando entre 0,4 à 9%.  O Rio Grande do Sul, com mais de 14 milhos de cabeças apresenta uma prevalência de focos de tuberculose de 2,8% e de 0,7% em animais. É interessante observar que a região norte do Estado apresenta a maior concentração de focos de tuberculose, muito provavelmente relacionado ao predomínio de propriedades leiteiras e/ou propriedades mistas.

Nesta semana, uma propriedade leiteira do município de Passo Fundo registrou a detecção de 67 vacas positivas para a tuberculose, sendo que destas, 40 vacas estavam em plena produção de leite.

Nestes casos, a legislação exige que os animais sejam sacrificados e as carcaças destinadas para outra utilização exceto a alimentação humana (graxaria). Além de um prejuízo a curto prazo para o produtor de aproximadamente 300 mil reais somente em animais, a propriedade foi interditada para passar por um vazio sanitário para eliminação completa do foco, impactando profundamente na renda deste produtor.

Não há vacina e nem tratamento para a tuberculose bovina, sendo que prevenir continua sendo melhor caminho. A melhor estratégia a ser adotada nestes casos, passa pelo sistema de vigilância para detecção e saneamento dos focos. Além disso, faz necessário um esforço cada vez maior, tanto por parte do estado como das agroindústrias e dos médicos veterinários na educação sanitária para que seus produtores passem a testar os animais para tuberculose bovina antes de introduzí-los em seus plantéis.

 

**Deniz Anziliero possui graduação, Mestrado, Doutorado e Pós-Doutorado em Medicina Veterinária. Realizou estágio curricular no Departamento de Sanidade Animal da Universidade de León, Espanha. Atualmente, é Coordenador do Curso de Medicina Veterinária da IMED, professor dos cursos de Medicina e Odontologia da instituição.

 

Francine Tiecher | Analista Comunicação

Departamento de Marketing e Comunicação | IMED Campus Passo Fundo