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O coração dos pets em foco

A professora do Curso de Medicina Veterinária da IMED, Dra. Lygia Malvestio fala sobre os cuidados que se devem ter com a saúde cardíaca dos animais de estimação

A cardiologia veterinária é uma área de atuação do médico veterinário que envolve o estudo do sistema cardiovascular e suas afecções/doenças. Com o avanço dos meios diagnósticos e preventivos, o número de animais idosos vem aumentando e, com isso, torna-se maior a incidência de doenças relacionadas à idade, como alterações cardiovasculares, oncológicas entre outras.

As cardiopatias são doenças que acometem o sistema cardíaco de humanos e animais. O coração de cães e gatos é semelhante ao coração de humanos e, assim como nós, também podem sofrer problemas cardíacos.

Lygia Maria Mouri Malvestio – Doutora em Medicina Veterinária

Dessa forma, a exemplo do que acontece na medicina, torna-se imprescindível o encaminhamento de animais idosos, especialmente daqueles acima de 5 anos de idade, ao médico veterinário cardiologista para avaliação e realização de exames complementares  sendo os mais solicitados a ecocardiografia (avaliação cardíaca anatômica e funcional), eletrocardiografia (avaliação da atividade elétrica do coração), mensuração da pressão arterial sistêmica, radiografia torácica, Holter 24 horas e exames laboratoriais.

Além disso, recomenda-se que cães e gatos passem por avaliação clínica de rotina periodicamente, independente se apresentam ou não sintomatologia para uma doença específica, pois muitos distúrbios cardíacos evoluem de forma silenciosa e o exame clínico de rotina é útil no seu diagnóstico precoce.

Os principais sinais de alterações cardiovasculares nos pets são as seguintes:

  • tosse seca (na maioria das vezes semelhante a engasgos);
  • cansaço fácil, intolerância a exercícios;
  • respiração acelerada ou falta de ar;
  • língua azulada;
  • desmaios / fraqueza;
  • perda de peso

As patologias cardiovasculares que mais acometem os pets são as valvopatias (alterações nas valvas do coração) seguida pelas cardiomiopatias (alterações no músculo do coração) e arritmias (alterações no ritmo cardíaco).

A doença da valva mitral é a doença cardíaca mais frequente nos cães. Acomete mais de 90% dos caninos acima de 10 anos e geralmente é mais grave nos animais de porte pequeno. As raças de cães com maior predisposição para essa doença são as seguintes: Poodle, Dachshund, Yorkshire, Maltês, Pinscher. Os cães acometidos por essa patologia devem realizar acompanhamento cardiológico e, na maioria das vezes, vão receber medicamentos pelo resto da vida. Não existe cura para a doença e a terapia tem como objetivo melhorar a qualidade de vida e aumentar o tempo de vida.

Já as arritmias, definidas como anormalidades na formação, condução, frequência e regularidade do impulso cardíaco, é mais frequente nos animais idosos sendo as raças mais predispostas os Boxers e Dobermans.

Importante mencionar que animais que costumam frequentar regiões de praia podem contrair a Dirofilariose, doença causada por um parasita que se instala na artéria do lado direito do coração dos pets e cuja transmissão ocorre pela picada de um mosquito.  Todavia, já existem medicamentos disponíveis no mercado para prevenção da Dirofilariose que pode ser indicado pelo médico veterinário.

Os felinos são comumente acometidos por uma afecção do músculo cardíaco, a cardiomiopatia hipertrófica, que resulta em aumento da espessura do coração destes animais. Algumas raças apresentam maior predisposição, como o Persa, mas pode acometer felinos de qualquer raça, inclusive aqueles sem definição racial. Os principais sintomas nesta doença cardíaca são: dificuldade respiratória, intolerância aos exercícios e falta de apetite.

Esta doença pode ter como consequência a formação de um coágulo dentro do coração que pode migrar e obstruir artérias menores, geralmente aquelas que irrigam os membros. Esse quadro é chamado de tromboembolismo arterial sistêmico. Os sintomas principais são falta de coordenação ou paralisia aguda de membros, geralmente traseiros acompanhado de muita dor.

Importante lembrar que todos os animais que serão submetidos a processos anestésicos devem realizar avaliação cardiológica, independentemente da idade e do tipo de cirurgia, seja ela castração ou tratamento periodontal.

Dessa forma, é de extrema importância o diagnóstico e o acompanhamento do paciente cardiopata pelo médico veterinário cardiologista para realização do tratamento adequado que oferecerá condições que garantam a qualidade de vida dos pacientes. O tratamento das cardiopatias é essencialmente medicamentoso e tem como objetivo a melhora na qualidade de vida e na sobrevida do animal.

Lembre-se sempre, o coração de quem te ama merece atenção especial!

 

**Lygia Maria Mouri Malvestio é doutora em Medicina Veterinária pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP. Possui experiência nas áreas de Patologia Animal, Patologia Cardiovascular, Patologia Geral, Modelos Experimentais da Distrofia Muscular Duchenne – cão Golden Retriever, Cultivo Celular e Biologia Molecular. Atualmente é professora do Curso de Medicina Veterinária da IMED.

 

Fonte: Francine Tiecher

Assessoria de Imprensa e Comunicação IMED