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O suicídio e a Baleia Azul

             O estudante de direito de 23 anos entra no quarto da mãe, na madrugada e exclama: “sinto um aperto no peito, uma coisa muito estranha”. A mãe havia marcado várias vezes psiquiatra para o filho e ele não foi. Seu histórico sugeria indícios de depressão.  “Ele tinha vergonha de falar o que estava sentindo”, diz a mãe. O vendedor pergunta a ela onde está o “alemão” que comprava balinhas quase todo o dia perto de casa. A mãe, sem coragem, diz: “O alemão está longe, viajando”. Suicidou-se em outubro de 2012.

A taxa de suicídio cresceu 33% nos últimos dez anos entre brasileiros de 15 a 29 anos. A pergunta que surge é: porque os jovens decidem acabar com a vida num momento em que ela pode ser tão exuberante? Não conseguiremos responder em poucas linhas. Mas, a pergunta nos desafia a atenção e ao cuidado com a vida que vivemos. A sociedade não vai bem. Não estamos acertando o caminho. Há sinais claros que indicam necessidade de mudança.

A empresária Carla de 25 anos já tentou o suicídio. Foi quando tirou pela primeira vez, na adolescência, nota baixa em matemática. “Não queria ser mais um problema para os seus pais”, comenta. Seu alto nível de exigência consigo mesma, fortalecido, pela exigência dos pais, fez a moça ter um imagem distorcida de si mesma. Pensou que precisava ser perfeita e percebeu que não era, mas no momento não teve capacidade de lidar com isso. Ameaçou a própria vida. Hoje, devido ao perverso desafio o Baleia Azul, conseguiu abrir o jogo e partilhar, aquele fato, que carregava como um peso. Daquele episódio, guarda no braço esquerdo a tatuagem “Happines is only real when shared”, – a felicidade só é real quando compartilhada.

Talvez, nessa tatuagem esteja o significado que aponta um horizonte de sentido. A vida é feliz quando partilhada. Compartilhar sentimentos, frustrações, feridas, problemas, mágoas e fracassos, torna a vida mais leve. Ninguém consegue suportar todo o peso da vida sozinho.  A vida e a felicidade não acontecem na perfeição. Somos imperfeitos e precisamos aceitar essa imperfeição. Somos um uma construção aberta, estamos a caminho. E no caminho, você já sabe, não há somente rosas e belezas.

Padre Ezequiel Dal Pozzo

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